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Poesias Musicadas
"[...] poesia também é oral no sentido em que, com raras exceções, ou ela consiste em letra de música - o que significa a palavra cantada - ou ela fica melhor quando lida em voz alta." Antonio Cicero
Quinta-feira, Junho 07, 2007
Quarta-feira, Fevereiro 28, 2007
Drummond, Vinicius, Bandeira, Quintana, Mendes Campos
80 Poesias Musicadas em dois arquivos compactados
(todos os posts e alguns extras) - LINKS ATUALIZADOS -
Adriana Calcanhotto - Jornal de Serviço (Carlos Drummond de Andrade)
Adriana Calcanhotto - O outro (Mario de Sá Carneiro)
Adriana Calcanhotto - Pelos ares (Antonio Cicero)
Antonio Nobrega - A morte do touro mão de pau (Ariano Suassuna)
Arnaldo Antunes - Budismo moderno (Augusto dos Anjos)
Arnaldo Antunes - Hotel Fraternité (Hans Magnus Enzensberger)
Arnaldo Antunes - O buraco do espelho
Baden Powell - Feitinha pro poeta (Lula Freire)
Baden Powell e Vinicius de Moraes - O Poeta e a lua (Vinicius de Moraes)
Belchior - Nova canção do exílio (Carlos Drummond de Andrade)
Belchior - Toada de amor (Carlos Drummond de Andrade)
Blues Etílicos - Liberdade (Fernando Pessoa)
Caetano Veloso - Cambalache (Enrique Discépolo)
Caetano Veloso - Circuladô de fulô (Haroldo de Campos)
Caetano Veloso - Elegia (John Donne)
Caetano Veloso - Navio Negreiro (Castro Alves)
Caetano Veloso - Poema dos olhos da amada (Vinicius de Moraes)
Caetano Veloso - Poema Padrão (Fernando Pessoa)
Caetano Veloso - Verdura (Paulo Leminski)
Carla Bruni - Those Dancing Days Are Gone (W.B. Yeats)
Carlos Drummond - Consolo na praia
Chico Buarque - Funeral de um lavrador (João Cabral de Melo Neto)
Chico Buarque e Fagner - Traduzir-se (Ferreira Gullar)
Chico César - Duas margens (Lúcio Lins)
Chico Buarque e Fagner - A aurora (Federico Garcia Lorca)
Cordel do Fogo Encantado - Ai se sêsse (Zé da Luz)
Daúde - Quase (Antonio Cicero)
Djavan - Lambada de serpente (Cacaso)
Djavan - Triste baía da Guanabara (Cacaso)
Edu Lobo - Meus pensamentos de mágoa (Fernando Pessoa)
Fagner - Canteiros (Cecília Meireles)
Fagner - Cesta básica (Francisco Carvalho)
Fagner - Motivo (Cecília Meireles)
Fagner - Sina (Patativa do Assaré)
Geraldo Azevedo - Meu Pião (Zé do Norte)
Gilberto Gil - A rua (Torquato Neto)
Gilberto Gil - As coisas (Arnaldo Antunes)
Itamar Assumpção - Custa nada sonhar (Paulo Leminski)
Jards Macalé - Mal secreto (Waly Salomão)
Jards Macalé - Movimento dos Barcos (Capinan)
José Miguel Wisnik - Soneto do olho-do-cú (Paul Verlaine e Arthur Rimbaud)
Joyce - Passarinho (poeminha do contra) (Mário Quintana)
Poesias Musicadas - Arquivo 1 de 2
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Maria Bethânia - Amor, Amor (Cacaso)
Maria Bethânia - Bom dia, tristeza (Vinicius de Moraes)
Maria Bethania - Passagem das Horas (Fernando Pessoa)
Maria Bethania - Canção III (Hilda Hilst)
Milton Nascimento - Canção amiga (Carlos Drummond de Andrade)
Nara Leão - La Colombine (Jacques Brel)
Nara Leão - Azulão (Manuel Bandeira)
Nara Leão - Poema da Rosa (Bertold Brecht)
Nara Leão e João do Vale - Desafio (Cego Aderaldo)
Os Cinco Crioulos - Aurora da Paz (Cacaso)
Paco de Lucia - Anda Jaleo (Federico García Lorca)
Paulinho Boca de Cantor - Valeu (Paulo Leminski)
Paulinho da Viola - Bebadosamba
Paulo Diniz - José (Carlos Drummond de Andrade)
Paulo Diniz - Vou-me embora pra Pasárgada (Manuel Bandeira)
Raul Seixas - Cambalache (Enrique Discépolo)
Rolando Boldrin - Vaca estrela e boi fubá (Patativa do Assaré)
Rolando Boldrin e Almir Sater - Viola Quebrada (Mário de Andrade)
Secos e Molhados - Flores Astrais (João Apolinário)
Secos e Molhados - Não não digas nada (Fernando Pessoa)
Secos e Molhados - Rosa de Hiroshima (Vinicius de Moraes)
Teatro - Funeral de um lavrador (João Cabral de Melo Neto)
Simone - Face a face (Cacaso)
Tom Jobim - Autopsicografia (Fernando Pessoa)
Tom Jobim - Cavaleiro Monge (Fernando Pessoa)
Tom Jobim - Soneto de Separação (Vinicius de Moraes)
Tom Jobim - Trem de ferro (Manuel Bandeira)
Tom, Miúcha e Chico - Dinheiro em Penca (Cacaso)
Toquinho e Vinicius - Para viver um grande amor (Vinicius de Moraes)
Toquinho - Rosa desfolhada (Vinicius de Moraes)
Toquinho e Vinicius - São demais os perigos dessa vida (Vinicius de Moraes)
Vinicius de Moraes - Soneto do amor total (Vinicius de Moraes)
Xangai - Matança (Jatobá)
Zé Ramalho - Força Verde (W. B. Yeats)
Zeca Baleiro - Nalgum lugar (E.E. Cummings)
Zeca Baleiro - Soneto Erótico
Zélia Duncan - Canção VII (Hilda Hilst)
Poesias Musicadas - Arquivo 2 de 2
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Domingo, Fevereiro 25, 2007
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração
Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
É preciso um bocado de tristeza
Senão, não se faz um samba não
Senão é como amar uma mulher só linda
E daí? Uma mulher tem que ter
Qualquer coisa além da beleza
Qualquer coisa de triste
Qualquer coisa que chora
Qualquer coisa que sente saudade
Um molejo de amor machucado
Uma beleza que vem da tristeza
De se saber mulher
Feita apenas para amar
Para sofrer pelo seu amor
E pra ser só perdão
Fazer samba não é contar piada
E quem faz samba assim não é de nada
O bom samba é uma forma de oração
Porque o samba é a tristeza que balança
E a tristeza tem sempre uma esperança
A tristeza tem sempre uma esperança
De um dia não ser mais triste não
Feito essa gente que anda por aí
Brincando com a vida
Cuidado, companheiro!
A vida é pra valer
E não se engane não, tem uma só
Duas mesmo que é bom
Ninguém vai me dizer que tem
Sem provar muito bem provado
Com certidão passada em cartório do céu
E assinado embaixo: Deus
E com firma reconhecida!
A vida não é de brincadeira, amigo
A vida é arte do encontro
Embora haja tanto desencontro pela vida
Há sempre uma mulher à sua espera
Com os olhos cheios de carinho
E as mãos cheias de perdão
Ponha um pouco de amor na sua vida
Como no seu samba
Ponha um pouco de amor numa cadência
E vai ver que ninguém no mundo vence
A beleza que tem um samba, não
Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco na poesia
Se hoje ele é branco na poesia
Ele é negro demais no coração
Eu, por exemplo, o capitão do mato
Vinicius de Moraes
Poeta e diplomata
O branco mais preto do Brasil
Na linha direta de Xangô, saravá!
A bênção, Senhora
A maior ialorixá da Bahia
Terra de Caymmi e João Gilberto
A bênção, Pixinguinha
Tu que choraste na flauta
Todas as minhas mágoas de amor
A bênção, Sinhô, a benção, Cartola
A bênção, Ismael Silva
Sua bênção, Heitor dos Prazeres
A bênção, Nelson Cavaquinho
A bênção, Geraldo Pereira
A bênção, meu bom Cyro Monteiro
Você, sobrinho de Nonô
A bênção, Noel, sua bênção, Ary
A bênção, todos os grandes
Sambistas do Brasil
Branco, preto, mulato
Lindo como a pele macia de Oxum
A bênção, maestro Antonio Carlos Jobim
Parceiro e amigo querido
Que já viajaste tantas canções comigo
E ainda há tantas a viajar
A bênção, Carlinhos Lyra
Parceirinho cem por cento
Você que une a ação ao sentimento
E ao pensamento
A bênção Baden Powell
Amigo novo, parceiro novo
Que fizeste este samba comigo
A bênção, amigo
A bênção, maestro Moacir Santos
Que não és um só, és tantos, tantos
como o meu Brasil de todos os santos
Inclusive meu São Sebastião
Saravá! A bênção, que eu vou partir
Eu vou ter que dizer adeus
Ponha um pouco de amor numa cadência
E vai ver que ninguém no mundo vence
A beleza que tem um samba, não
Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco na poesia
Se hoje ele é branco na poesia
Ele é negro demais no coração
Vinicius de Moraes e Baden Powell
Download em:
http://www.sendspace.com/file/4gzt0t
Baden Powell no violão e Vinicius de Moraes recitando "O Poeta e a Lua"
O poeta e a lua
Em meio a um cristal de ecos
O poeta vai pela rua
Seus olhos verdes de éter
Abrem cavernas na lua.
A lua volta de flanco
Eriçada de luxúria
O poeta, aloucado e branco
Palpa as nádegas da lua.
Entre as esfera nitentes
Tremeluzem pelos fulvos
O poeta, de olhar dormente
Entreabre o pente da lua.
Em frouxos de luz e água
Palpita a ferida crua
O poeta todo se lava
De palidez e doçura.
Ardente e desesperada
A lua vira em decúbito
A vinda lenta do espasmo
Aguça as pontas da lua.
O poeta afaga-lhe os braços
E o ventre que se menstrua
A lua se curva em arco
Num delírio de luxúria.
O gozo aumenta de súbito
Em frêmitos que perduram
A lua vira o outro quarto
E fica de frente, nua.
O orgasmo desce do espaço
Desfeito em estrelas e nuvens
Nos ventos do mar perpassa
Um salso cheiro de lua
E a lua, no êxtase, cresce
Se dilata e alteia e estua
O poeta se deixa em prece
Ante a beleza da lua.
Depois a lua adormece
E míngua e se apazigua...
O poeta desaparece
Envolto em cantos e plumas
Enquanto a noite enlouquece
No seu claustro de ciúmes.
Segunda-feira, Fevereiro 12, 2007
William Butler Yeats por Carla Bruni
Those dancing days are gone
Those dancing days are gone,
All that silk and satin gear;
Crouch upon a stone,
Wrapping that foul body up
In as foul a rag:
I carry the sun in a golden cup.
The moon in a silver bag.
Curse as you may I sing it through;
What matter if the knave
That the most could pleasure you,
The children that he gave,
Are somewhere sleeping like a top
Under a marble flag?
I carry the sun in a golden cup.
The moon in a silver bag.
I thought it out this very day.
Noon upon the clock,
A man may put pretence away
Who leans upon a stick,
May sing, and sing until he drop,
Whether to maid or hag:
I carry the sun in a golden cup,
The moon in a silver bag.
Domingo, Fevereiro 11, 2007
Yo me alivié a un pino verde
por ver si la divisaba,
y sólo divisé el polvo
del coche que la llevaba.
Anda jaleo, jaleo:
ya se acabó el alboroto
y vamos al tiroteo.
No salgas, paloma, al campo,
mira que soy cazador,
y si te tiro y te mato
para mí será el dolor,
para mí será el quebranto,
Anda, jaleo, jaleo:
ya se acabó el alboroto
y vamos al tiroteo.
En la calle de los Muros
han matado una paloma.
Yo cortaré con mis manos
las flores de su corona.
Anda jaleo, jaleo:
ya se acabó el alboroto
y vamos al tiroteo.
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Fernando Pessoa por Blues Etílicos
Liberdade 
Ai que prazer
não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
e não o fazer!
Ler é maçada,
estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre bem ou mal,
sem edição original.
Fernando Pessoa
(excerto: Blues Etilícos)
Download em:
http://www.sendspace.com/file/kwgta4
Sábado, Fevereiro 10, 2007
Poema da Rosa
"Bertold Brecht, dramaturgo alemão, viveu de 1898 a 1956, legando-nos inúmeras obras de imenso valor. Inconformado com a injustiça social que presenciou e da qual foi vítima durante as duas guerras mundiais que ocorreram em sua época, e que o marcaram profundamente. Serviu e ainda serve de base para a renovação do teatro contemporâneo. De sua peça "Mãe Coragem", traduzida por Augusto Boal, diretor e dramaturgo, foi extraído o poema citado, ganhando nova dimensão com a melodia criada pelo jovem violonista e compositor Macalé." Nara Leão
Há uma rosa linda no meio do meu jardim
Dessa rosa cuido eu, quem cuidará de mim?
De manhã desabrochou, a tarde foi escolhida
pra de noite ser levada de presente à minha amiga
Feliz de quem possui uma rosa em seu jardim
A minha amiga com certeza pensa agora só em mim
Quando sopra o vento frio e o inverno gela o jardim
Eu tenho calor em casa e fico quietinho assim
Feliz de quem tem o seu teto pra ajudar a sua amiga
a fugir do vento ruim que deixa gelado o jardim.
Bertold Brecht
(Tradução: Augusto Boal)
Download em:
Jacques Brel por Nara Leão
La Colombine
"Jacques Brel é um dos mais importantes autores franceses da atualidade. Seu destaque advém de um notável senso crítico e poético, além da maneira pela qual enfrenta com segurança a estrutura comercial da música popular, sobretudo a européia." Nara Leão
Por que essa fanfarra?
Se os homens enfileirados
esperam o massacre
e vão morrer ou matar
por que esse trem sem cores?
Que ronca alto e suspira
para nos conduzir
à tragédia e à mentira
por que a música, o canto?
A multidão que trás flores?
E parece festejar
aqueles que não vão voltar
porque chega o momento
onde termina a infância
e acaba toda a chance
de se viver a paz?
por que o vagão pesado
tão depressa, carregado
de rostos e cores cinzas
que se vão para nunca mais?
por que esse trem de chuva?
por que esse trem guerreiro?
por que esse cemitério em direção à noite?
por que tantos discursos para saudar os mortos?
e sempre as tantas frases feitas no enterro de seus corpos?
por que a criança morta para saudar a vitória?
por que o dia de glória e o sangue derramado?
por que toda essa terra coberta de cinzas e cruzes?
por que toda essa guerra se a pomba ficou ferida?
onde o teu caro rosto desfigurado pela lágrima
enfeiado de desgosto quando limpava nossas armas
e teu corpo sombrio que ao longe desaparece
essa chuva no cais, uma flor nesse túnel
como viver um novo dia se os amigos não voltaram?
onde encontrar alegria? que fazer desse amanhã?
Jacques Brel
Download em:
http://www.sendspace.com/file/8cg46a
Manuel Bandeira por Nara Leão
Azulão
"Manoel Bandeira é sem dúvida o poeta de que mais valeram os compositores na busca de um tema para suas melodias. Talvez pela suave musicalidade imanente aos seus versos. Aqui uma parceria com Jayme Ovalle, das mais perfeitas, se é que assim se possa falar com relação a uma obra de arte." Nara Leão
Vai Azulão
Azulão companheiro vai
Vai ver minha ingrata
Diz que sem ela
O sertão não é mais sertão
Ah, voa, Azulão
Azulão, companheiro vai...
Jayme Ovalle e Manuel Bandeira
Download em:
http://www.sendspace.com/file/hahhrb
Domingo, Dezembro 17, 2006
Como fazer download pelo badongo?
apertando no link que coloco em cada post vai abrir uma página que hospeda a música (badongo), é só esperar uma contagem (de 45seg) no final da página, ao lado das informações sobre a música. Depois da contagem vai aparecer uma caixa de texto com algumas letras, é só digitar as letras que aparecem na caixa de texto e depois apertar em "download your file here". Daí é só salvar e depois curtir.
Índice Geral
A
Antonio Cicero por Adriana Calcanhotto
Pelos Ares
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/08/antonio-cicero-por-adriana-calcanhotto.html
Ariano Suassuna por Antonio Nóbrega
A morte do touro mão de pau
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/06/poema-de-ariano-suassuna-musicado-por.html
Arnaldo Antunes
O buraco do espelho
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/07/poesia-e-msica-de-arnaldo-antunes-o.html
Arnaldo Antunes por Gilberto Gil
As coisas
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/12/arnaldo-antunes-por-gilberto-gil-as.html
Augusto dos Anjos por Arnaldo Antunes
Budismo moderno
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/07/augusto-dos-anjos-por-arnaldo-antunes.html
B
C
Cacaso por Djavan
Lambada de serpente
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/10/cacaso-por-djavan-lambada-_116232243706473400.html
Cacaso por Djavan
Triste baía da Guanabara
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/11/cacaso-por-djavan-triste-baa-da.html
Cacaso por Maria Bethânia
Amor, amor
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/12/cacaso-por-maria-bethnia-amor-amor.html
Cacaso por Simone
Face a face
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/11/cacaso-por-simone-face-face-so-as_23.html
Cacaso por Tom Jobim, Miúcha e Chico Buarque
Dinheiro em penca
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/12/cacaso-por-tom-jobim-micha-e-chico.html
Capinan por Jards Macalé
Movimento dos Barcos
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/11/capinan-por-jards-macal-movimento-dos_20.html
Carlos Drummond de Andrade por Adriana Calcanhotto
Jornal de serviços
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/11/carlos-drummond-de-andrade-por-adriana.html
Carlos Drummond de Andrade por Belchior
Nova canção do exílio
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/11/carlos-drummond-de-andrade-por.html
Carlos Drummond de Andrade por Belchior
Toada de amor
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/11/carlos-drummond-de-andrade-por_30.html
Carlos Drummond de Andrade na voz do próprio Drummond
Consolo na praia
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/06/poesia-de-drummond-na-voz-do-prprio.html
Carlos Drummond de Andrade por Milton Nascimento
Canção amiga
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/08/carlos-drummond-de-andrade_115483430491522973.html
Carlos Drummond de Andrade por Paulo Diniz
José
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/06/poesia-de-carlos-drummond-_115047547227471665.html
Castro Alves por Caetano Veloso
Navio Negreiro
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/12/castro-alves-por-caetano-veloso-navio_01.html
Cecília Meireles por Fagner
Canteiros
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/06/poesia-de-ceclia-meireles-musicada-por_16.html
Cecília Meireles por Fagner
Motivo
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/06/poesia-de-ceclia-meireles-_115047483737467821.html
Cego Aderaldo por Nara Leão e João do Vale
Desafio
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/12/do-show-opinio-1964-nara-leo-joo-do.html
D
E
E.E. Cummings por Zeca Baleiro
Nalgum lugar
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/07/e.html
Enrique Discépolo por Caetano Veloso
Cambalache
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/10/enrique-discpolo-por-caetano-veloso-e_30.html
F
Federico Garcia Lorca por Chico Buarque e Fagner
A aurora
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/07/federico-garcia-lorca-por-chico.html
Fernando Pessoa por Caetano Veloso
III. PADRÃO
(Segunda Parte: Mar Portuguez)
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/08/fernando-pessoa-por-caetano-veloso-iii_05.html
Fernando Pessoa por Edu Lobo
Meus pensamentos de mágoa
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/11/fernando-pessoa-por-edu-lo_116429963879839734.html
Fernando Pessoa por Maria Bethânia
Passagem das horas
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/08/fernando-pessoa-por-maria-bethnia_07.html
Fernando Pessoa por Secos e Molhados
Não: não digas nada!
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/06/poesia-de-fernando-pessoa-musicada-por.html
Fernando Pessoa por Tom Jobim
Autopsicografia
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/08/fernando-pessoa-por-tom-jobim.html
Fernando Pessoa por Tom Jobim
Cavaleiro Monge
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/07/fernando-pessoa-por-tom-jobim.html
Ferreira Gullar por Chico Buarque e Fagner
Traduzir-se
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/07/ferreira-gullar-por-chico-buarque-e.html
Francisco Carvalho por Fagner
Cesta básica
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/11/francisco-carvalho-por-fagner-cesta_20.html
G
H
Hans Magnus Enzensberger por Arnaldo Antunes
Hotel Fraternitè
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/10/hans-magnus-enzensberger-p_116225150448853625.html
Haroldo de Campos por Caetano Veloso
Circuladô de fulô
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/12/haroldo-de-campos-por-caetano-veloso_01.html
Hilda Hilst por Maria Bethânia
Canção III
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/07/poesia-de-hilda-hilst-musicada-por.html
Hilda Hilst por Zélia Duncan
Canção VII
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/06/poesia-de-hilda-hilst-musicada-por_22.html
I
J
Jatobá por Xangai
Matança
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/06/poesia-de-jatob-musicada-por-xangai.html
João Apolinário por Secos e Molhados
Flores Astrais
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/10/joo-apolinrio-por-secos-e-molhados_31.html
João Cabral de Melo Neto em versão para teatro
Funeral de um lavrador
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/07/poema-de-joo-cabral-de-melo-neto-em.html
João Cabral de Melo Neto por Chico Buarque
Funeral de um lavrador
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/07/poema-de-joo-cabral-de-melo-neto.html
John Donne por Caetano Veloso
Elegia
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/12/john-donne-por-caetano-veloso-elegia.html
K
L
Lúcio Lins por Chico César
duas margens
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/08/lcio-lins-por-chico-csar-duas-margens_02.html
Lula Freire por Baden Powell
Feitinha pro poeta
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/11/lula-freire-por-baden-powell.html
M
Manuel Bandeira por Tom Jobim
Trem de ferro
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/08/manuel-bandeira-por-tom-jobim-trem-de_05.html
Manuel Bandeira por Paulo Diniz
Vou-me embora pra Pasárgada
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/07/poesia-de-manuel-bandeira-musicada-por.html
Mário de Andrade por Rolando Boldrin e Almir Sater
Viola quebrada
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/08/mrio-de-andrade-por-rolando-boldrin-e_06.html
Mário de Sá Carneiro por Adriana Calcanhotto
O outro
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/08/mrio-de-s-carneiro-por-adriana_05.html
Mário Quintana por Joyce
Poeminha do contra
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/08/mrio-quintana-por-joyce-poeminha-do.html
N
O
P
Paul Verlaine e Arthur Rimbaud por José Miguel Wisnik
Soneto do olho-do-cú
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/11/paul-verlaine-e-arthur-rimbaud-por-jos_29.html
Paulinho da Viola
Bebadosamba
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/06/poesia-e-msica-de-paulinho-da-viola.html
Paulo Leminski por Caetano Veloso
Verdura
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/07/paulo-leminski-por-caetano-veloso.html
Paulo Leminski por Itamar Assumpção
Custa nada sonhar
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/11/paulo-leminski-por-itamar-assumpo_27.html
Paulo Leminski por Paulinho Boca de Cantor
Valeu
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/07/paulo-leminski-por-paulinho-boca-de.html
Patativa do Assaré por Fagner
Sina
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/07/patativa-do-assar-por-fagner-sina-eu.html
Patativa do Assaré por Rolando Boldrin
Vaca Estrela e boi Fubá
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/07/patativa-do-assar-por-rolando-boldrin.html
Q
R
S
T
Torquato Neto por Gilberto Gil
A rua
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/06/poesia-de-torquato-neto-musicada-por.html
U
V
Vinicius de Moraes
Soneto do amor total
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/06/soneto-de-vinicius-de-moraes-musicado.html
Vinicius de Moraes por Caetano Veloso
Poema dos olhos da amada
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/06/poesia-de-vinicius-de-moraes-musicada.html
Vinicius de Moraes por Maria Bethânia
Bom dia, tristeza
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/11/vinicius-de-moraes-por-maria-bethnia.html
Vinicius de Moraes por Secos e Molhados
A rosa de Hiroxima
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/06/poesia-de-vinicius-de-moraes-musicada_16.html
Vinicius de Moraes por Tom Jobim e Elis Regina
Soneto de separação
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/07/vinicius-de-moraes-por-tom-jobim-e.html
Vinicius de Moraes por Toquinho
Rosa desfolhada
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/10/vinicius-de-moraes-por-toquinho-rosa.html
Vinicius de Moraes por Toquinho e Vinicius
Para viver um grande amor
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/11/vinicius-de-moraes-por-toquinho-e-o.html
Vinicius de Moraes por Toquinho e Vinicius
São demais os perigos dessa vida
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/11/vinicius-de-moraes-por-toquinho-e-o_27.html
W
Waly Salomão por Jards Macalé
Mal Secreto
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/07/waly-salomo-por-jards-macal-mal_13.html
W.B. Yeats por Zé Ramalho
Força verde
http://musicapoesia.blogspot.com/2006/12/w.html
X
Y
Z
Zeca Baleiro
Soneto Erótico
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Zé da Luz por Cordel do Fogo Encantado
Ai Se Sêsse
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Zé do Norte por Geraldo Azevedo
Meu pião
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Sexta-feira, Dezembro 15, 2006
Zé da Luz por Cordel Do Fogo Encantado
Ai Se Sêsse
Se um dia nois se gostasse
Se um dia nois se queresse
Se nois dois se empareasse
Se juntim nois dois vivesse
Se juntim nois dois morasse
Se juntim nois dois drumisse
Se juntim nois dois morresse
Se pro céu nois assubisse
Mas porém acontecesse de São Pedro não abrisse
a porta do céu e fosse te dizer qualquer tolice
E se eu me arriminasse
E tu cum eu insistisse pra que eu me arresolvesse
E a minha faca puxasse
E o bucho do céu furasse
Da vês que nois dois ficasse
Da vês que nois dois caisse
E o céu furado arriasse e as virgi toda fugisse
Zé da Luz
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Quarta-feira, Dezembro 13, 2006
W.B. Yeats por Zé Ramalho
Força verde
Ainda há pouco, era apenas uma estrela
Uma imensa tocha antes do mergulho
Agora vem à tona
Sua ira é intensa
E você deseja saber
Se há algo
Que possa acalmá-lo outra vez
Os pássaros
A lua cheia e todo o céu leitoso
E todas as formas da natureza
Mostravam a grandeza do mundo
Em lágrimas
Condenado como Ulisses
E como príamos...
Morto com seus companheiros
Morto com seus companheiros
Morto... Apareceu...
No momento em que a lua ia se elevando
E todo pranto forma a imagem do homem
Zé Ramalho sobre poema de W.B. Yeats
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Zé do Norte por Geraldo Azevedo
Meu pião
O meu pião ele só roda com ponteira
A ponteirinha é rasteirinha pelo chão
O meu pião é feito de goiabeira
Ele só roda com ponteira
Na palma da minha mão
Dança morena
No meio desse salão
Requebrando o corpo todo
No ronco desse pião
Dance na mão dance na mão
Dance na mão dance na mão
Meu pião
Zé do Norte
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Segunda-feira, Dezembro 11, 2006
Cacaso por Maria Bethânia
Amor, amor
quando o mar
quando o mar tem mais segredo
não é quando ele se agita
nem é quando é tempestade
nem é quando é ventania
quando o mar tem mais segredo
é quando é calmaria
quando o amor
quando o amor tem mais perigo
não é quando ele se arrisca
nem é quando ele se ausenta
nem quando eu me desespero
quando o amor tem mais perigo
é quando ele é sincero
Cacaso
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John Donne por Caetano Veloso
Elegia: indo para o leito
[...]
Deixa que minha mão errante adentre.
Atrás, na frente, em cima, em baixo, entre.
Minha América! Minha terra à vista,
Reino de paz, se um homem só a conquista,
Minha Mina preciosa, meu império,
Feliz de quem penetre o teu mistério!
Liberto-me ficando teu escravo;
Onde cai minha mão, meu selo gravo.
Nudez total! Todo o prazer provém
De um corpo (como a alma sem corpo) semVestes.
[...]
Como encadernação vistosa, feita
Para iletrados a mulher se enfeita;
Mas ela é um livro místico e somente
A alguns (a que tal graça se consente)
É dado lê-la.Eu sou um que sabe;
[...]
John Donne
(Tradução: Péricles Cavalcanti e Augusto de Campos)
(Excerto: Caetano Veloso)
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Cacaso por Tom Jobim, Miúcha e Chico Buarque
Dinheiro em penca
O mati é passo preto
Ele é muito tapereiro
Ele canta por amor
Eu só canto por dinheiro
No seu canto tem valor
No meu canto tem vintém
Ele geme a sua dor
Eu não choro por ninguém
Ninguém sabe ir pelo Catumbi
Ninguém sabe, ninguém sabe
Eu casei com ela
Fiz um filho nela
Bati muito nela
Fui feliz com ela
Se o santo cai do andor
E o barro cobre o ladrilho
Quem roubou o meu amor
E me escondeu do meu filho
Renda de filó
Carretel de linha
Jorro de cascata
Canja de galinha
Sino de Belém
Mofo de farinha
Vou cantar agora
Uma prenda minha
O mati ao meio-dia
Tá piando no soleiro
Ele canta na estia
Eu debaixo do chuveiro
Ele mora no sertão
Eu no Rio de Janeiro
Ninguém sabe ir por Andaraí
Ninguém sabe, ninguém sabe
Se o peito guarda rancor
O raio pisca o seu brilho
Do porto sai o vapor
Da vaca sai o novilho
Tem gente que faz favor
Pamonha é feita de milho
Quem roubou o meu amor
E me escondeu do meu filho
Fé de bisavó
Praga de madrinha
Laço de gravata
Bando de rolinha
Sorte de repente
Jura de modinha
Vou cantar agora
Uma prenda munha
Eu fui lá, na grota funda
Avisar meu feiticeiro
Fiquei bom do reumatismo
E ganhei muito dinheiro
Melhorei do meu cansaço
E ganhei muito dinheiro
Ninguém sabe ir pelo Buriti
Ninguém sabe, ninguém sabe
Se o cheiro muda de cor
O nego puxa o gatilho
A lucidez sai da dor
O trem de ferro do trilho
Se o vento liga o motor
E a morte presta um auxílio
Quem roubou o meu amor
E me escondeu do meu filho
Rede de cipó
Lata de sardinha
Porta de alçapão
Ceva de tainha
Bolha de sabão
Sopa de letrinha
Bucha de balão
Papo de cozinha
Meu padrinho quando moço
Era muito fazendeiro
Tirou outro do sertão
Foi gastar no estrangeiro
O dinheiro da boiada
Transferiu pro estrangeiro
Ninguém sabe ir pelo Piauí
Ninguém sabe, ninguém sabe
O avião salta do chão
O padre sai do retiro
O acaso faz o ladrão
Da espingarda parte o tiro
Do verso nasce a canção
Do sertão meu estribilho
Quem roubou o meu amor
E me escondeu do meu filho
Medo de ladrão
Noite de arrepio
Boca de fogão
Casco de navio
Pipa de papel
Ben-te vi no cio
Corda de relógio
Bomba de pavio
Tive léguas e mais léguas
Muito gado, cafezais
Sesmarias, mata virgem
Onde a vista já não vai
Extensão de terra roxa
Ia até o Paraguai
Tive até um burro preto
Que vovó deu pro papai
Eu também já tive um tio
Que virou velho gaiteiro
Que gostava de mulher
Como eu gosto de dinheiro
Era louco por mulher
Eu me amarro no dinheiro
Fui mascate no sertão
Caminhei o norte inteiro
Vendi grampo a prestação
Guarda-chuva em fevereiro
Até hoje estou esperando
A remessa do dinheiro
O mati é passo preto
De janeiro até janeiro
Ele casa no verão
Eu namoro o ano inteiro
O mati já tem bisneto
Eu ainda tô solteiro
Ele voa em liberdade
Inda tô no cativeiro
E voou pra imensidão
Eu ainda prisioneiro
Canta curió
Canta coleirinho
Sabiá da mata
Garnizé de ninho
Terra de niguém
Viração marinha
Vou cantar agora uma prenda minha
Uma vez em Nova York
Liguei pro meu feiticeiro
Que atendeu o telefone
Lá no Rio de Janeiro
Eu então falei pra ele
Procurar meu macumbeiro
Pra avisar pro pai-de-santo
Pra arranjar algum dinheiro
Pra pedir pro delegado
Pra soltar meu curandeiro
Ao doutor seu delegado
Pra soltar meu curandeiro
Mas o tal telefonema
Lá se foi o meu dinheiro
Sunga de lagarto
Dente de galinha
Sovaco de cobra
Pena de tainha
Asa de tatu
Jura de Maria
Gritos de menino
Rabo de Cotia
Cacaso
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Segunda-feira, Dezembro 04, 2006
Arnaldo Antunes por Gilberto Gil
As coisas
As coisas têm peso, massa, volume, tamanho, tempo, forma, cor, posição, textura, du-ração, densidade, cheiro, valor, consistência, pro-fundi-dade, contorno, temperatura, função, aparência, preço, des-tino, idade, sentido. As coisas não têm paz.
Arnaldo Antunes
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Domingo, Dezembro 03, 2006
Cego Aderaldo por Nara Leão e João do Vale
(Peleja com Zé Pretinho dos Tucuns)
— Cego, agora puxa uma
Das tuas belas toadas,
[...]
— Amigo José Pretinho,
Eu nem sei o que será
De você depois da luta
— Você vencido já está!
Quem a paca cara compra
Paca cara pagará!
[...]
— Cego, teu peito é de aço
— Foi bom ferreiro que fez
— Pensei que cego não tinha
No verso tal rapidez!
Cego, se não é maçada,
Repete a paca outra vez!
[...]
— Disse uma vez, digo dez
— No cantar não tenho pompa!
Presentemente, não acho
Quem o meu mapa me rompa
— Paca cara pagará,
Quem a paca cara compra!
[...]
— Cego, eu estou apertado,
Que só um pinto no ovo!
Estás cantando aprumado
E satisfazendo o povo
— Mas esse tema da paca,
Por favor, diga de novo!
[...]
— Arre! Que tanta pergunta
Desse preto capivara!
Não há quem cuspa pra cima,
Que não lhe caia na cara
— Quem a paca cara compra
Pagará a paca cara!
[...]
— Agora, cego, me ouça:
Cantarei a paca já
— Tema assim é um borrego
No bico de um carcará!
Quem a caca cara compra,
Caca caca cacará!
Cego Aderaldo
(Aderaldo Ferreira de Araújo)
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Sexta-feira, Dezembro 01, 2006
Castro Alves por Caetano Veloso
Navio Negreiro
I
'Stamos em pleno mar
[...]
IV
Era um sonho dantesco... o tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho.
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar de açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar...
Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras moças, mas nuas e espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs!
E ri-se a orquestra irônica, estridente...
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais ...
Se o velho arqueja, se no chão resvala,
Ouvem-se gritos... o chicote estala.
E voam mais e mais...
Presa nos elos de uma só cadeia,
A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece,
Outro, que martírios embrutece,
Cantando, geme e ri!
No entanto o capitão manda a manobra,
E após fitando o céu que se desdobra,
Tão puro sobre o mar,
Diz do fumo entre os densos nevoeiros:
"Vibrai rijo o chicote, marinheiros!
Fazei-os mais dançar!..."
E ri-se a orquestra irônica, estridente. . .
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais...
Qual um sonho dantesco as sombras voam!...
Gritos, ais, maldições, preces ressoam!
E ri-se Satanás!...
V
Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus?!
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?...
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!
Quem são estes desgraçados
Que não encontram em vós
Mais que o rir calmo da turba
Que excita a fúria do algoz?
Quem são? Se a estrela se cala,
Se a vaga à pressa resvala
Como um cúmplice fugaz,
Perante a noite confusa...
Dize-o tu, severa Musa,
Musa libérrima, audaz!...
São os filhos do deserto,
Onde a terra esposa a luz.
Onde vive em campo aberto
A tribo dos homens nus...
São os guerreiros ousados
Que com os tigres mosqueados
Combatem na solidão.
Ontem simples, fortes, bravos.
Hoje míseros escravos,
Sem luz, sem ar, sem razão...
São mulheres desgraçadas,
Como Agar o foi também.
Que sedentas, alquebradas,
De longe... bem longe vêm...
Trazendo com tíbios passos,
Filhos e algemas nos braços,
N'alma — lágrimas e fel...
Como Agar sofrendo tanto,
Que nem o leite de pranto
Têm que dar para Ismael.
Lá nas areias infindas,
Das palmeiras no país,
Nasceram crianças lindas,
Viveram moças gentis...
Passa um dia a caravana,
Quando a virgem na cabana
Cisma da noite nos véus ...
...Adeus, ó choça do monte,
...Adeus, palmeiras da fonte!...
...Adeus, amores... adeus!...
[...]
VI
Existe um povo que a bandeira empresta
P'ra cobrir tanta infâmia e cobardia!...
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!...
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia?
Silêncio. Musa... chora, e chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto!...
Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança...
Tu que, da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!...
Fatalidade atroz que a mente esmaga!
Extingue nesta hora o brigue imundo
O trilho que Colombo abriu nas vagas,
Como um íris no pélago profundo!
Mas é infâmia demais! ... Da etérea plaga
Levantai-vos, heróis do Novo Mundo!
Andrada! arranca esse pendão dos ares!
Colombo! fecha a porta dos teus mares!
Castro Alves
(excertos: Caetano Veloso)
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Haroldo de Campos por Caetano Veloso
Circuladô de fulô
circuladô de fulô ao deus ao demo dará que deus te guie
porque eu não posso guiá eviva quem já me deu
circuladô de fulô e ainda quem falta me dá
soando como um shamisen e feito apenas com um arame
tenso um cabo e uma lata velha num fim de festafeira no pino do sol a pino
mas para outros não existia aquela música
não podia porque não podia popular aquela música se não canta não é popular
se não afina não tintina não tarantina
e no entanto puxada na tripa da miséria na tripa tensa da mais megera miséria
física e doendo doendo
como um prego na palma da mão um ferrugem prego cego na palma espalma da mão
coração exposto como um nervo tenso retenso um renegro prego cego
durando na palma polpa da mão ao sol
circuladô de fulô ao deus ao demo dará que deus te guie
porque eu não posso guiá eviva quem já me deu
circuladô de fulô e ainda quem falta me dá
o povo é o inventalínguas na malícia da maestria no matreiro
da maravilha no visgo do improviso tenteando a travessia
azeitava o eixo do sol
circuladô de fulô ao deus ao demo dará
que deus te guie porque eu não posso guiá eviva quem já me deu
circuladô de fulô e ainda quem falta me dá
e não peça que eu te guie não peça despeça que eu te guie
desguie que eu te peça promessa que eu te fie me deixe
me esqueça me largue me desamargue que no fim eu acerto que
no fim eu reverto que no fim eu conserto e para o fim me
reservo e se verá que estou certo e se verá que tem jeito e se
verá que está feito que pelo torto fiz direito que quem faz
cesto faz cento se não guio não lamento pois o mestre que
me ensinou já não dá ensinamento
circuladô de fulô ao deus ao demo dará
que deus te guie porque eu não posso guiá eviva quem já me deu
circuladô de fulô e ainda quem falta me dá
Haroldo de Campos
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Quinta-feira, Novembro 30, 2006
Cacaso por Djavan
Triste Baía da Guanabara
Ah! Minha Santa Idolatrada
Não fazia quase nada
Pela minha fidelidade
Ah! Só por você
Eu entreguei sem recusar meu coração
Me sentia nos seus braços
Numa grade de cela
Belo Horizonte, sombra de vela
A descrença mais sincera
Pela minha sinceridade
Ah! Você jurou
E prometeu, mas não me deu o seu amor
Eu faria da injúria
A canção mais singela
Água rolada
Céu de aquarela
Te perjuro, te desprezo
Pela minha felicidade
Ah! Você entrou na minha vida
Mas comigo não viveu
Eu sabia, fruta boa
Tá na ponta da vara
Triste baía da Guanabara
Lua branca, noite clara
Pela minha triste cidade
Ah! Sem ter você
Meu coração só quer lembrar a minha dor
Eu queria que soubesse
Que te amar não consola
Cacaso
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Carlos Drummond de Andrade por Belchior
Toada do amor
E o amor sempre nessa toada:
briga perdoa perdoa briga.
Não se deve xingar a vida,
a gente vive, depois esquece.
Só o amor volta para brigar,
para perdoar,
amor cachorro bandido trem.
Mas, se não fosse ele, também
que graça que a vida tinha?
Mariquita, dá cá o pito,
no teu pito está o infinito.
Carlos Drummond de Andrade
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Quarta-feira, Novembro 29, 2006
Paul Verlaine e Arthur Rimbaud por José Miguel Wisnik
Soneto do olho-do-cú
"as duas primeiras estrofes
são de Paul Verlaine
e as duas últimas
de Arthur Rimbaud"
Obscuro e franzido como um cravo roxo,
Humilde ele respira escondido na espuma,
Úmido ainda do amor que pelas curvas suaves
Dos glúteos brancos desce à orla de sua auréola.
Uns filamentos como lágrimas de leite,
Choraram ao vento inclemente que os expulsa,
Passando por calhaus de uma argila vermelha,
Para escorrer por fim ao longo das encostas.
Muita vez minha boca uniu-se a esta ventosa,
Sem poder ter o coito material, minha alma
Fez dele um lacrimário, um ninho de soluços.
Ele é a tonta azeitona, a flauta carinhosa,
Tubo por onde desce a divina pralina,
Canaã feminino que eclode na umidade
Paul Verlaine e Arthur Rimbaud
Alterações: Zé Celso Martinês e Marcelo Drummond
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Segunda-feira, Novembro 27, 2006
Vinicius de Moraes por Toquinho e o próprio Vinicius
São demais os perigos desta vida
São demais os perigos desta vida
Pra quem tem paixão principalmente
Quando uma lua chega de repente
E se deixa no céu, como esquecida
E se ao luar que atua desvairado
Vem se unir uma música qualquer
Aí então é preciso ter cuidado
Porque deve andar perto uma mulher
Deve andar perto uma mulher que é feita
De música, luar e sentimento
E que a vida não quer de tão perfeita
Uma mulher que é como a própria lua:
Tão linda que só espalha sofrimento
Tão cheia de pudor que vive nua
Vinicius de Moraes
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*Essa vai para o amigo Marceleza!
Vinicius de Moraes por Toquinho e o próprio Vinicius
Para viver um grande amor
"Eu não ando só
Só ando em boa companhia
Com meu violão
Minha canção e a poesia"
Para viver um grande amor, preciso
É muita concentração e muito siso
Muita seriedade e pouco riso
Para viver um grande amor
Para viver um grande amor, mister
É ser um homem de uma só mulher
Pois ser de muitas - poxa! - é pra quem quer
Nem tem nenhum valor
Para viver um grande amor, primeiro
É preciso sagrar-se cavalheiro
E ser de sua dama por inteiro
Seja lá como for
Há que fazer do corpo uma morada
Onde clausure-se a mulher amada
E postar-se de fora com uma espada
Para viver um grande amor
Para viver um grande amor direito
Não basta apenas ser um bom sujeito
É preciso também ter muito peito
Peito de remador
É sempre necessário ter em vista
Um crédito de rosas no florista
Muito mais, muito mais que na modista!
Para viver um grande amor
Conta ponto saber fazer coisinhas
Ovos mexidos, camarões, sopinhas
Molhos, filés com fritas, comidinha

